Muita gente não percebe, mas para muitas pessoas autistas a socialização pode ser um verdadeiro trabalho invisível.
Em encontros sociais, há um grande esforço para acompanhar regras não ditas, conversar em meio a barulhos, cheiros ou movimentos, e até mascarar características autistas para serem aceitas. Esse processo é intenso e exige que corpo e mente funcionem em "modo de performance", consumindo energia apenas para caber em um ambiente que não foi feito para elas.
O "modo estrela-do-mar"
Quando o encontro acaba, muitas pessoas autistas precisam de um tempo para se recompor. Algumas descrevem esse momento como entrar em "modo estrela-do-mar": ficar quieta, imóvel, em silêncio, só para reorganizar forças e voltar a se sentir inteira.
É importante reforçar: essa pausa não significa falta de afeto ou interesse. Significa apenas que o esforço foi grande e o descanso é fundamental.
Um convite ao cuidado
Mais do que nunca, precisamos repensar o que entendemos por socialização. Ao criar ambientes mais respeitosos, flexíveis e acolhedores, abrimos espaço para relações verdadeiramente autênticas — onde ninguém precise gastar toda a sua energia apenas para existir.
E a ciência confirma essa urgência. Pesquisas recentes mostram que a camuflagem social de características autistas e o burnout estão diretamente ligados ao maior risco de depressão em adultos autistas (Benatov, Sarel-Mahlev & Bar Yehuda, 2024).
O convite é simples e profundo: podemos todos colaborar para uma convivência mais empática, onde o direito de ser quem se é não exija tanto esforço.
Conhece alguém que precisa refletir sobre isso? Encaminhe esta newsletter ou compartilhe com sua rede!
Até a próxima!
Arlene Amorim
Psicóloga | Analista de Comportamento
#ABA #AnáliseDoComportamento #Neurodiversidade
Referência: Benatov, J., Sarel-Mahlev, E., & Bar Yehuda, S. (2025). Camouflage, burnout-exhaustion, and depression in autistic adults. Autism in Adulthood. Advance online publication. https://doi.org/10.1089/aut.2024.0147

